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Tarifaço reforça necessidade de investimentos

A recente decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros trouxe novas preocupações para o setor de infraestrutura e logística nacional.

Especialistas e entidades do setor produtivo reforçam que o momento exige um redesenho estratégico do plano logístico do Brasil, priorizando rotas alternativas para a América do Sul e Ásia e aumentando os investimentos em infraestrutura multimodal.

O tema foi amplamente discutido durante o evento “Logística no Brasil”, promovido pelo Valor Econômico, com apoio da Infra S.A. e do Ministério dos Transportes, realizado na sede da Fiesp, em São Paulo.

Crescimento dos investimentos em infraestrutura

Segundo Venilton Tadini, presidente executivo da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), os investimentos em infraestrutura cresceram 20% em 2024, totalizando R$ 260 bilhões. A previsão para 2025 é de chegar a R$ 280 bilhões.

Apesar desse avanço, Tadini destacou a necessidade de priorizar setores estratégicos, como as ferrovias de carga, fundamentais para o escoamento eficiente de produtos, além de uma melhor alocação de recursos públicos. “É preciso estruturar projetos considerando o tipo de produto e a interligação com diferentes modais”, reforçou.

Multimodalidade como solução

Para Jorge Bastos, diretor-presidente da Infra S.A., a diversificação da matriz logística é urgente. Ele destacou a importância de conectar ferrovias a portos estratégicos, ampliando a integração com países da América do Sul, especialmente neste momento em que tarifas internacionais impactam a competitividade do Brasil.

O transporte multimodal — que integra rodovias, ferrovias, portos, hidrovias e aeroportos — foi apontado como essencial para reduzir custos, aumentar a previsibilidade das operações e atrair investimentos privados.

Ferrovias, hidrovias e competitividade

José Rebelo, presidente da Associação Brasileira de Armazenagem e Infraestrutura (Abani), chamou atenção para a fragilidade da estrutura ferroviária no Brasil. Segundo ele, embora o país tenha soluções para longas distâncias, ainda falta previsibilidade no transporte para garantir maior interesse de investidores.

Já Vander Costa, presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), reforçou o potencial das hidrovias como alternativa competitiva e sustentável. Ele destacou que o Brasil precisa ampliar os investimentos públicos e privados em multimodalidade, que será chave para o crescimento logístico nas próximas décadas.

Porto de Santos e o desafio da expansão

O Porto de Santos, maior terminal de exportação do país, também entrou na pauta. Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária de Santos, alertou para a necessidade urgente de investimentos na região, que movimenta 180 milhões de toneladas por ano.

Segundo ele, a dependência quase exclusiva da rodovia Anchieta é um gargalo logístico que pode comprometer o crescimento futuro. “Com o agronegócio expandindo cerca de 20% ao ano, o Porto de Santos precisa estar preparado para absorver essa demanda, com infraestrutura diversificada e mais eficiente”, destacou.

Fonte: Abol


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