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Farmacêuticas pedem maior fiscalização sobre alternativas ao Ozempic

Nos últimos meses, a polêmica em torno da comercialização de versões manipuladas de medicamentos como Ozempic e Wegovy ganhou destaque no setor farmacêutico brasileiro.

Representantes da indústria, liderados pelo Sindusfarma, encaminharam à Anvisa um pedido para suspender a venda de produtos manipulados à base de semaglutida e tirzepatida, sob a alegação de possíveis irregularidades regulatórias, de segurança e de patentes.

Indústria aponta riscos regulatórios e de segurança

Segundo a entidade, os fornecedores de insumos utilizados na manipulação desses medicamentos não apresentam as mesmas exigências de certificação impostas à indústria farmacêutica instalada no país. Para o sindicato, essa diferença criaria uma concorrência desleal e colocaria em dúvida a segurança do paciente, já que não haveria rastreabilidade plena dos produtos.

Nelson Mussolini, presidente do Sindusfarma, afirmou que as empresas farmacêuticas precisam comprovar a qualidade e certificação de seus fornecedores, enquanto algumas farmácias de manipulação não estariam sujeitas ao mesmo rigor.

Produtos em diferentes formatos e dosagens

Um dos pontos levantados na denúncia é que os medicamentos manipulados estão sendo ofertados em formatos e concentrações variadas, como cápsulas sublinguais, em dosagens que chegam até 14 mg, disponíveis em sites de farmácias de manipulação. De acordo com o Sindusfarma, essa prática foge do conceito de prescrição individualizada e caracterizaria uma produção em escala industrial, sem autorização para tanto.

Interfarma reforça alerta

Em estudo divulgado recentemente, a Interfarma destacou que o volume de insumos importados por algumas farmácias de manipulação seria suficiente para fabricar milhões de doses de semaglutida e tirzepatida, o que indicaria produção em larga escala e fora dos limites legais.

Posição das farmácias de manipulação

As farmácias citadas, por outro lado, defendem sua atuação. A Biofarma declarou que segue as boas práticas de manipulação, que produz apenas sob demanda e que já retirou a semaglutida de seu catálogo. Já a Formulados Farma reforçou que suas operações são regulares e defendeu a coexistência entre indústria e farmácias de manipulação, desde que ambos os segmentos cumpram as normas estabelecidas.

Debate continua no setor farmacêutico

O caso reacende discussões sobre os limites da manipulação de medicamentos, a proteção de patentes e a necessidade de fiscalização mais rigorosa. Ao mesmo tempo, mostra o quanto a alta demanda por medicamentos voltados ao tratamento da obesidade e doenças metabólicas tem impulsionado debates entre a indústria farmacêutica e as farmácias de manipulação.

A expectativa agora é de que a Anvisa analise as denúncias apresentadas e estabeleça critérios mais claros para equilibrar inovação, segurança do paciente e competitividade no mercado.

Fonte: Panorama Farmacêutico


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