Andreani - Logística


O mercado de medicamentos isentos de prescrição (OTC) no Brasil está passando por uma verdadeira revolução.
Impulsionado pelo avanço do autocuidado, pela digitalização do varejo farmacêutico e pela ampliação dos portfólios de produtos, o setor registrou um crescimento expressivo de mais de 110% entre 2019 e 2024, conforme dados divulgados pela Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias).
O faturamento com produtos OTC — que incluem também itens de higiene pessoal, cosméticos e perfumaria — saltou de R$ 9,12 bilhões para R$ 19,24 bilhões no período analisado. Esse desempenho reflete mudanças no comportamento do consumidor brasileiro, cada vez mais atento à prevenção e à busca por soluções práticas para o dia a dia.
Autocuidado e comportamento do consumidor impulsionam o setor
De acordo com Sergio Mena Barreto, CEO da Abrafarma, o Brasil segue os passos de mercados mais consolidados, como Canadá, Reino Unido e Estados Unidos, onde as farmácias atuam como centros de saúde e bem-estar. Em 2024, foram registrados mais de 1,26 bilhão de atendimentos em farmácias, o que equivale a cerca de cinco visitas por habitante no ano.
Essa tendência de empoderamento do consumidor, aliada à facilidade de acesso a medicamentos e produtos para cuidados pessoais, vem consolidando o espaço dos medicamentos OTC no mercado.
Projeções de crescimento e novas categorias de autocuidado
A expectativa para os próximos anos é de que o setor continue em ritmo acelerado. Segundo Eduardo Magalhães, diretor de marketing da Opella Brasil, a previsão é de um crescimento médio anual de 3,8% entre 2025 e 2029.
A Opella, que reúne marcas como Dorflex, Novalgina, Enterogermina e Dulcolax, agora opera de forma independente após reestruturação envolvendo a Sanofi e o fundo americano CD&R. O novo posicionamento reforça o foco em inovação e resposta rápida às demandas dos consumidores, com destaque para lançamentos como Targifor Te Ajuda Stress, voltado à saúde mental e controle do estresse.
Inovação no PDV e estratégias digitais
O uso de tecnologia e marketing educativo também tem sido essencial para aproximar o consumidor do setor. Fichas explicativas e ferramentas de auxílio à decisão dentro das farmácias vêm despertando o interesse de médicos e pacientes, promovendo uma relação mais consciente com os medicamentos.
A digitalização do varejo farmacêutico é outro fator determinante: farmácias têm investido em e-commerce, apps e canais digitais que ampliam o alcance e facilitam o acesso aos produtos.
Temporada de inverno aquece as vendas
O período mais frio do ano é especialmente estratégico para o mercado de OTC. A Cimed, por exemplo, prevê R$ 1 bilhão em faturamento com produtos sazonais em 2025, frente aos R$ 790 milhões no mesmo período de 2024. O destaque vai para o Cimegripe, com projeção de R$ 46,2 milhões em vendas.
Essa linha de produtos representa 34% da receita total da empresa, que aposta em um portfólio robusto com mais de 40 itens focados em gripes, resfriados e alergias.
EMS amplia atuação com aquisições e pesquisa
A EMS também tem fortalecido sua presença no segmento de medicamentos sem prescrição, com aquisições como Dermacyd e Vitamine-se. De acordo com Cinthia Ribeiro, diretora da unidade OTC da empresa, o foco está em pesquisa de mercado, inovação e ampliação da capilaridade de distribuição.
Além de atender a novas demandas em áreas como prevenção e bem-estar, a EMS destaca a comunicação educativa como diferencial competitivo, priorizando conteúdo informativo que fortalece a relação com o consumidor.
Marcas próprias e experiência digital no varejo farmacêutico
A RD Saúde, controladora das redes Raia e Drogasil, tem liderado a consolidação das marcas próprias em farmácias. Em 2024, esses produtos representaram 20,5% do faturamento bruto da companhia, com marcas como Needs, Bwell e Natz entre as líderes de vendas.
A transformação digital também se reflete na jornada de compra: clientes que utilizam os canais digitais (aplicativos, site e programas de fidelidade) geram até 25% mais faturamento do que os clientes que compram exclusivamente nas lojas físicas.
Benefícios regulatórios e impactos no sistema de saúde
Do ponto de vista regulatório, apenas os medicamentos isentos de prescrição podem ser divulgados diretamente ao público. E esse setor tem contribuído, inclusive, para a redução da pressão sobre o SUS.
Um estudo da FIA Business School revelou que cada R$ 1 investido em medicamentos OTC pode gerar uma economia de até R$ 7 no sistema público de saúde, evitando internações e agravamentos de quadros clínicos.
Fonte: Guia da Farmácia